O pier e o auditório por Rosana Souto S. Vieira Antigo sonho de Julian Barnard e Nickie Murray, curadora do Bach Centre na época do centenário do nascimento do Dr. Bach, a idéia de reunir pessoas de todo mundo para celebrar e compartilhar as diferentes vertentes do legado do fundador da Terapia Floral, só viria se concretizar agora, vinte anos depois, na Conferência Internacional, Bach Cromer Conference, realizada nos dias 23 e 24 de setembro, na Inglaterra. No entanto, muito mais do que uma celebração dos 120 anos do nascimento do Dr. Edward Bach, a Conferência foi um marco para a união do mundo dos florais de Bach sinalizando o início de uma nova fase de cooperação entre os diversos pesquisadores e produtores de essências florais. Um verdadeiro tributo a Edward Bach e aos seus fiéis amigos, Nora Weeks e Victor Bullen, principais responsáveis pela divulgação e consolidação de seu trabalho após a sua morte. A conferência foi o resultado de dois anos de trabalho da Bach Essence Producers um grupo de produtores de florais de Bach, composta por Vivien Williamson, da Inglaterra e Gerard Wolf, da França, além do próprio Julian Barnard, Deste último partiu também a iniciativa de um caloroso e sincero convite a Judy Howard, atual curadora do Bach Centre, para juntar-se a eles nesta empreitada. Decididos a fazerem um evento não comercial, eles conseguiram a adesão de Judy e de várias autoridades dos Florais de Bach vinculadas ao Bach Centre, tornando possível a realização deste antigo sonho.
De longe, o mar parece um espelho d’água. No entanto, não é assim tão calmo visto que foi, lá em Cromer, socorrendo um náufrago, que Edward Bach viria juntar algumas essências precursoras do seu composto de emergência. Cromer tem até, um museu dedicado aos homens que arriscaram suas vidas no mar para salvar outros.
Os dias colaboraram para receber cerca de quatrocentas pessoas, entre palestrantes, equipes de apoio e participantes da Conferência, deixando este cenário ainda mais bonito. Tudo correu perfeitamente bem e dentro do cronograma previsto. Os organizadores nos surpreenderam com doses maciças de hospitalidade, bom humor e jogo de cintura, para contornar quaisquer dificuldades que poderíamos ter. Tudo foi pensado e estruturado com muito cuidado e carinho - dos lindos broches de identificação, com a imagem de Cerato, às saídas para visitar o local onde o Dr. Bach encontrou esta planta no passado e os bolos da hora do “parabéns”. Sentimo-nos em casa e inteiramente acolhidos pela grande equipe de apoio.
Coube a Richard Katz, diretor da Flower Essence Society (EUA), a tarefa de proferir a palestra de abertura da Conferência. Richard estava ali para prestar a sua homenagem a Edward Bach e o fez de forma magnífica.
Judy falou-nos com o coração, deixando-nos perceber seu amor, seu cuidado e respeito pela herança que recebeu de seus antecessores. No restante do primeiro dia ouviríamos ainda o representante do Japão, Dr. Makio Ishikawa, que traçando um paralelo entre a filosofia oriental e a filosofia de Edward Bach, apresentou sua pesquisa clínica sobre o efeito dos florais no sangue de pacientes depressivos. Teresita Spinosa, do Chile, compartilhou as iniciativas de uso das essências florais em presídios e em outras instituições públicas, bem como as providências atualmente tomadas para a regulamentação da Terapia Floral em seu país.
As simpáticas representantes de Cuba, Dras Concepción Campa e Sol Inês Rodriguez trouxeram um painel maravilhoso do desenvolvimento da terapia floral no sistema de saúde de seu país. Devido ao embargo econômico, não foi só a fitoterapia que encontrou o seu espaço em Cuba, as essências florais hoje representam uma alternativa presente na maioria dos hospitais, beneficiando a população cubana.
No final deste dia, Martine Winnigton e suas ajudantes conduziram os participantes numa adorável sessão de dança circular ao entardecer no píer. Um cenário maravilhoso e muita alegria. Infelizmente, não pude ficar. Antes de sair do Brasil, havia sido convidada para fazer parte de uma mesa redonda a ser realizado no Red Lion, um pub que o Dr. Bach costumava freqüentar. O simpósio, como isto viria a ser chamado, era uma oportunidade para debater assuntos de interesse dos congressistas. Os organizadores convidaram algumas pessoas para estar respondendo e discutindo as perguntas do público. Eu era uma destas, ao lado de Dominique Bourgeois e Phillipe Deroit, da França, Ricardo Mateo, da Espanha, Bárbara Espeche, da Argentina, Derian Turner, da Austrália, Donatella Tordoni, da Itália, Arden Wong, da China, entre outros. Glenn Storhaug, editor e poeta, foi o nosso mediador, controlando o nosso tempo. Um verdadeiro gentleman! O Simpósio no Red Lion
O Simpósio foi uma oportunidade importante para compartilhar minha forma de trabalhar com as essências florais de Bach, assegurando a liberdade de utilizar o número de essências necessárias para ajudar os meus clientes, independente de regras. A liberdade para a obra de um homem que pregava a liberdade em todos os níveis. Depois disto, algumas pessoas vieram-me procurar e agradecer pela forma com que expus minhas opiniões. Obrigada por esta oportunidade, Julian! Voltamos cansados para o hotel. Ainda consegui pegar o final de um show de jazz que estava tendo naquela noite. Mas não durou muito. Achei melhor caminhar no calçadão do que tentar dormir. A excitação era grande, a cabeça girava de tanto pensar e falar em inglês. Aproveitando que lá ainda é seguro, fui olhar aquele mar. O dia seguinte ainda nos traria muita emoção. Afinal, era o dia do aniversário do Dr. Bach.
Infelizmente, o tempo foi curto para discorrer sobre o trabalho alquímico de todos os florais de Bach trazidos por ela. Uma lástima, uma vez que o assunto é, realmente, fascinante, ainda mais quando apresentado com tamanha profundidade, propriedade e entusiasmo por Patrícia Kaminski. Ficamos com a promessa de ver este assunto, em breve, num próximo livro.
Ainda na parte da manhã, teríamos a apresentação da Dra Julia Tsuei, de Taiwan, relatando os efeitos benéficos de sua prática “maciça” da terapia floral em seu país. O que fazer quando são muitos aqueles que precisamos atender e só podemos dispor alguns minutos para cada um? Para garantir o acesso das essências florais ao seu grande número de pacientes, a Dra. Julia passou a trabalhar com fórmulas dirigidas às questões principais da população assistida, lançando mão de uma moderna tecnologia para selecioná-las. Sem deixar de rastrear os efeitos decorrentes da ingestão das essências, ela tem conseguido consolidar a terapia floral em seu país e fomentar a pesquisa nesta área, com a criação de um importante banco de dados. Logo em seguida, Derian Turner, da Austrália, uma das principais responsáveis em introduzir os florais de Bach neste continente exótico, compartilhou como foi esta sua jornada pioneira.
A próxima palestra era do Glenn - Glenn Storhaug, editor e poeta - e ele nos apresentaria o resultado de uma de suas recentes aventuras. Não no Himalaya, em busca do Cerato, mas em Chicago, em busca de maiores informações sobre Edward Bach. E assim foi. Quando entrei no salão, Glenn estava começando sua palestra sobre o seu garimpo no acervo de Gregory Vlamis (autor de Rescue – Florais de Bach para o alívio imediato, Ed. Roca), possivelmente o maior acervo existente sobre a vida do Dr. Bach e seus familiares.
A representante do Bach Centre para os cursos na Inglaterra, Lynn Macwhinnie viria em seguida, quebrando um pouco a magia em que nos encontrávamos, com um discurso rápido e veemente sobre a proposta de ensino que segue. No entanto, o dia nos reservava momentos ainda muito especiais com a apresentação de Julian Barnard e de Luciana Chammas, representante do Brasil. Julian entrou logo depois do intervalo. Como definir sua apresentação? Sinceramente, talvez isto não seja possível, pois na dimensão para onde fomos transportados com seu discurso, palavras não são o melhor instrumento para expressar os nossos sentimentos. Basta o coração. E foi com o coração que Julian Barnard, principal articulador deste evento, nos falou sobre a expedição que empreendeu ao Himalaya, em agosto de 2004, a fim de encontrar Cerato em seu habitat original. Uma expedição que o próprio Edward Bach, sem sombra de dúvida, gostaria de ter feito.
Assim, pudemos vê-lo como realmente é: profundamente sábio e sensível, certamente, o mais fiel representante de Edward Bach da atualidade. Terminou emocionado, assim como todos nós, e emendou na apresentação da Luciana Chammas, atual diretora da Healingherbs no Brasil, que estava ali com a difícil tarefa de substituir Elizabeth Bruno, amiga, antiga diretora, e mentora de diversos projetos sociais com as essências florais, que nos deixou em 2005. Julian fez questão de deixar a apresentação da Luciana para o final, como forma de trazer uma maior reflexão sobre os ideais mais elevados de Edward Bach ( vide Mensagem de Julian Barnard sobre o trabalho social no Brasil ) e também para prestar sua homenagem a sua estimada amiga Beth.
Apesar da emoção e do peso de sua responsabilidade, Luciana Chammas, conduziu sua apresentação com propriedade e simplicidade, mostrando as diversas iniciativas sociais apoiadas pela Healingherbs no Brasil, dentre as quais as atividades realizadas no Núcleo Mãe Maria/Os Seareiros, em Campinas, onde sou voluntária. Além disto, mostrou uma das mais importantes tendências atuais do trabalho social no Brasil com as essências florais; a realização dos chamados cursos sociais, tanto para agentes sociais como para grupos carentes, como forma de educá-los para o Cura-te a ti mesmo. Luciana Chammas compartilhou a aventura de levar um destes cursos a uma cidadezinha na Amazônia, introduzindo o conceito de saúde e de doença de Edward Bach a pessoas simples, despertando-as para o cuidado e o respeito por si próprias e à natureza. Um verdadeiro tributo ao pioneirismo de Elizabeth Bruno em prol do legado de Edward Bach. Aqui já não conseguíamos mais conter as lágrimas. Muitos aplausos e abraços emocionados. A mensagem de Beth começava a circular no mundo e Luciana, muito assediada, assumia, de vez, a herança que ela lhe deixou.
A hora da festa
A alegria contagiou a todos. Afinal, estávamos em família, na verdadeira família de Edward Bach. Cada um fazendo o melhor de si e tendo a liberdade de escolher, dentro de suas possibilidades, frente a diferentes realidades e culturas, a melhor forma de fazer chegar ao seu povo as essências florais, assegurando a expansão e a continuidade do trabalho de Edward Bach no mundo. A conferência nos mostrou que não existe o certo ou o errado e, sim, o que é possível fazer para que a energia das flores beneficie um número maior de pessoas. O anoitecer no píer estava maravilhoso. Um cenário perfeito para as despedidas e fotos - um final feliz para o jubileu do Dr. Bach.
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