Família Bignoniaceae – A cura que vem das nossas matas
Uma abordagem arquetípica

Resumo da palestra apresentada no 2º Conflor - novembro 2005

Rosana Souto Sobral Vieira
Instituto Cosmos de Terapia Floral
Campinas – SP

A Terapia Floral e a pesquisa de novos sistemas florais crescem a passos largos, beneficiando um número maior de pessoas em todo o mundo.  Hoje, é impossível afirmar o número de sistemas florais existentes e, especialmente em nosso país, vemos a pesquisa de novos sistemas florais alcançar patamares cada vez mais sólidos e respeitáveis, levando ao mundo o grande poder de cura sutil de nossa flora.

No entanto, à medida que nos aprofundamos na terapia floral, seja como terapeutas, professores ou sintonizadores de novas essências florais, mais nos aproximamos da Natureza. Esta, aos poucos, vai deixando de ser apenas a nossa fonte de vida para ser a fonte de sabedoria e crescimento evolutivo. Assim, nosso aprendizado e desenvolvimento como terapeutas florais ou pesquisadores de essências florais dependem muito da capacidade de receber as lições da natureza, da capacidade de interpretar sua linguagem.

Por este motivo, iniciamos uma fase de resgate de conhecimentos antigos que pudessem nos guiar nesta jornada de crescimento junto à Natureza. Aliados aos dados técnico-botânicos de uma determinada planta, passamos a coletar também o conhecimento popular, a mitologia, seus usos diferenciados em várias culturas, tentando entender seu significado maior. Chegamos também à idade média, recuperando o saber da Doutrina das Assinaturas de Paracelso e o legado de outros grandes herboristas do passado.

Outra grande fonte de saber, valiosa para o aprendizado da linguagem da natureza, é o simbolismo astrológico, especificamente, o estudo arquetípico do simbolismo planetário.  Associado ao estudo das famílias botânicas das plantas que utilizamos como floral, este é um grande recurso para interpretar a linguagem da natureza, ampliando o entendimento do poder curativo sutil de uma determinada espécie ou família, além de nortear a pesquisa de novas essências florais dentro de um mesmo grupo. 

Como exemplo citemos o arquétipo de Mercúrio e a família Bignoniaceae, uma família bastante representada na pesquisa dos sistemas florais nacionais.

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e o mais rápido em nosso sistema solar. No entanto, gira muito lentamente em torno do próprio eixo e por causa do brilho do Sol é impossível vê-lo por inteiro, apresentando-se sempre com dois lados; um lado luz/claro e um lado sombra/escuro. Devido a estes fatores, a mitologia greco-romana o considera como o mensageiro dos deuses.

Filho de Júpiter/Zeus e de Maia, Mercúrio/Hermes desde cedo revelou grande inteligência, rapidez, astúcia e poder de negociação ao fugir do berço, roubar o gado de seu irmão Apolo e voltar para o berço, como se nada tivesse acontecido. Desmascarado por Apolo na frente de Júpiter, Mercúrio o seduz e lhe doa uma lira, feita com casco de tartaruga. Em agradecimento, Apolo não só lhe devolve o gado, mas também o presenteia com o caduceu, um bastão que lhe concederia salvo-conduto, garantindo sua imunidade quando em missão de paz. Júpiter, impressionado com a inteligência e vivacidade do filho, fez de Mercúrio seu mensageiro, colocando-o também a serviço de Plutão, deus das profundezas subterrâneas, os infernos, de onde reinava sobre os mortos. Mercúrio passa, então, a conduzir os mortos ao reino de Plutão.

Posteriormente, ao caduceu foram acrescentadas duas asas na extremidade superior e duas serpentes, uma alusão aos símbolos do bem e do mal, da saúde e da doença, da vida e da morte.

O sincretismo entre a mitologia grega, Hermes/Mercúrio e a egípcia, Hermes Trismegistro (o três vezes sábio ) resultou no emprego do caduceu como símbolo deste último, mentor da sabedoria hermética, base da alquimia,  processo mais profundo de cura da alma humana. 

Mercúrio é comumente representado com um chapéu que lhe dá invisibilidade, sapatos com asas que lhe dão rapidez, uma bolsa para guardar seus lucros e o seu caduceu de proteção, símbolo da sabedoria e da cura. Astrologicamente,  rege as faculdades mentais, o pensamento, a comunicação, os estudos, o intercâmbio de idéias e valores, comércio, negócios, as viagens, os deslocamentos, o sistema nervoso, os nervos motores, mãos, fala, dentre outros. Relaciona-se ao elemento químico mercúrio e ao elemento ar.

No simbolismo religioso católico, a tarefa atribuída a Mercúrio passa a ser representada pelos anjos, mensageiros ou porta-vozes da vontade Divina, seres também dotados de asas a quem, além das mais elevadas virtudes, também são atribuídas as missões de proteção e condução de seres à morada celeste.

No reino vegetal, as qualidades mercuriais encontram-se refletidas muitas vezes na rapidez do crescimento da planta ou na florada que se antecipa a vinda das folhas, no formato do conjunto floral, notadamente o formato de umbela/guarda-chuva uma alusão à qualidade de proteção/imunidade, ou das folhas, normalmente folhas finamente divididas, que deixam passar muito ar ou ainda, no modo de polinização e propagação de sementes, geralmente auxiliada pelo vento, dentre outros aspectos.

No que concerne à família Bignoniaceae, esta é uma grande família de plantas de distribuição principalmente tropical com mais de 500 espécies, sendo bastante representada no Brasil. São plantas lenhosas, arbustivas ou arbóreas e também trepadeiras. Apresentam flores grandes e coloridas com corola ligeiramente bilabiada. Os ipês ( gênero Tabebuia ) são os representantes mais típicos entre nós.

No entanto, uma característica botânica praticamente comum aos membros desta família (com exceção do gênero Crescentia ),  e que chama a nossa atenção, é a  existência de sementes aladas, uma nítida alusão ao arquétipo de Mercúrio. A pressa/rapidez de Mercúrio também é responsável pelo florescimento prematuro dos ipês, mal terminando o inverno, enquanto que as folhas finamente divididas do jacarandá deixam passar o ar livremente assim, como os estudantes aéreos que se dispersam por qualquer coisa.

De fato, as essências florais preparadas de alguns exemplares da família Bignoniaceae  como os ipês dos diversos sistemas nacionais, que promovem o reabastecimento de energia   para enfrentar os  mais  variados  desafios  físicos  e  mentais, os jacarandás
( Jacaranda ), tão importantes para os estudantes e os cipós-de-São-João ( Pyrostegia ), cuja tarefa maior é a conexão com nossa verdadeira essência, removendo o véu das ilusões, são exemplos marcantes do poder de cura profundo desta família, convidando-nos a uma exploração maior de outras de suas espécies em nossas matas.

Rosana Souto Sobral Vieira  - Diretora do Instituto Cosmos de Terapia Floral, Campinas, SP. Practitioner em florais certificada pela Flower Essence Society, Califórnia, EUA, Instrutora autorizada da Flower Essence Society, Florais da Califórnia, e dos Florais de Bach Healingherbs, Engenheira Química e Astróloga. Professora e introdutora de diversos sistemas florais nacionais na região de Campinas, SP. E-mail: institutocosmos@cosmosinstituto.com.br

Bibliografia

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                                   Árvores Brasileiras – vol 1
KAMINSKI, Patricia – Flores que Curam, como usar essências florais – Ed.Triom, SP, 2000.
PRATES, P.R – Do bastão de Esculápio ao caduceu de Mercúrio, Arquivos Brasileiros de Cardiologia – www.scielo.br
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RIBEIRO, Ana Maria da Costa . – Conhecimento da Astrologia, Ed. Hipocampo, 3ª edição, RJ, 1988.

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