Incorporando o conhecimento das famílias botânicas
na prática da Terapia Floral

Rosana Souto S. Vieira
Sinopse da palestra apresentada no
Encontro Nacional de Terapeutas Florais,
Agosto 2004, SP

Edward Bach foi um verdadeiro pioneiro na arte da cura através das plantas. Desde tempos imemoriais, o reino vegetal vem servindo ao reino animal nos níveis material, medicinal e até mesmo espiritual. No entanto, foi através da incansável busca de Edward Bach1 para encontrar um método não agressivo de cura que a humanidade viu surgir, no século passado, um uso do reino vegetal diferente do estado da arte - a cura através das qualidades sutis das flores.

Através dos relatos de sua assistente, Nora Weeks2, sabemos que o Dr. Bach, na primeira fase de sua pesquisa, costumava passar horas e horas observando as plantas, seu habitat e gestual até encontrar aquela que iria combinar com um dos estados mentais ou emocionais negativos que buscava harmonizar. Infelizmente, ele pouco nos deixou de informação de cada planta em si escolhida para floral, atendo-se, basicamente, aos estados emocionais ou mentais negativos por elas trabalhados.

A partir do trabalho de seus seguidores, Nora Weeks e Victor Bullen3, e de grandes pesquisadores como Julian Barnard4 e Mechthild Sheffer5 , passamos a ter mais informações quanto à botânica e simbolismo associados às flores escolhidas por Edward Bach. Começamos assim, a decifrar o processo de sintonia com o reino vegetal e a mergulhar em sua obra, possibilitando-nos um entendimento maior de seu legado e o alcance de níveis mais profundos de cura.

No entanto, devemos a Richard Katz6 e a Patrícia Kaminski6,7, também grandes conhecedores da obra de Edward Bach, fundadores e diretores da Flower Essence Society (1979), Califórnia, a valiosa contribuição da pesquisa das qualidades sutis das flores de uma mesma família botânica, que veio fazer uma ponte entre o conhecimento científico botânico tradicional e conhecimento intuitivo. Através da compreensão de como as propriedades das plantas se traduzem nas propriedades curativas das essências florais e as virtudes associadas a cada família botânica, a FES estabeleceu uma linguagem científica espiritual que, além de ampliar o enfoque terapêutico, cria as bases para uma maior aceitação da terapia floral no mundo acadêmico.

As famílias botânicas e a prática terapêutica – “O descascar da cebola”

É comum, no primeiro contato com as essências florais, o interesse voltado apenas para uso das mesmas. Quanto mais incipiente o nosso estágio como terapeutas florais, maior o interesse em saber: – “Para que serve? - Como e quando vou usar isto?”

De início, muitos de nós negligenciam as informações botânicas da planta que deu origem àquele floral e, normalmente, a família do qual pertence, é apenas um dado (esdrúxulo!) a mais, sem importância. Hidrofiláceas, escrofulariáceas, onagráceas...”,Para que eu vou querer saber disto?”

Da mesma forma, quando analisamos o desenvolvimento da terapia floral no nosso País, podemos ver que esta atitude também se reflete na perspectiva maior do grupo e daquilo que vivemos.

Sabemos que hoje o Brasil é o maior usuário de essências florais de todo o mundo e que nossa experiência em terapia floral é estelar. No entanto, no início, a maioria de nós preocupava-se apenas em usar as essências florais. Estávamos longe de perceber o que viria em nosso próprio desenvolvimento pessoal e coletivo. Estávamos longe de praticar a verdadeira terapia da alma.

Fomos fazendo cursos e recebendo treinamento de pesquisadores de várias partes do mundo. Além disto, o uso contínuo dos florais, em nós mesmos, foi despertando uma outra necessidade: entender um “como” e um “porquê” mais abrangente. Alcançávamos níveis de cura mais profundos, chegando perto de uma compreensão maior do mundo, da natureza, gerando a percepção de que nós e natureza éramos um só. Estávamos despertando para perceber a unidade de todas as coisas - o amor incondicional e o alcance maior da terapia floral.

Mais uma vez, se pararmos para observar este processo sob uma ampla perspectiva, veremos que o mesmo se equivale ao descascar de uma cebola, tal como ocorre no processo da terapia floral. Sabemos que a terapia floral vai, aos poucos, removendo camadas que impedem a plena manifestação do nosso Eu maior, de nossa presença divina e amorosa.

Edward Bach não só encontrou uma forma amorosa de curar o sofrimento humano através das flores, como sutilmente nos mostrou, através deste processo de remoção de camadas, que a saída para a nossa cura é o desenvolvimento do amor, do amor por nós mesmos, pelo próximo e pela natureza.

Coincidentemente, na obra de Edward Bach encontramos a predominância das flores da família das rosáceas; Agrimony, Cherry Plum. Crab Apple e Wild Rose – quatro exemplares de uma mesma família botânica. Certamente não é à toa que Cherry Plum e Wild Rose, florais importantes a serem considerados nas tendências suicidas, façam parte desta família.

  

As rosáceas do sistema Bach – fotos Julian Barnard
Agimony, Wild Rose, Crab Apple e Cherry Plum


Sendo uma das maiores famílias de dicotiledôneas8, as rosáceas nos presenteiam com frutos saborosos, flores de cinco pétalas, belas e suavemente perfumadas. Normalmente seus exemplares são bem enraizados, mostrando uma forte conexão com a Terra. Alguns, como a rosa canina, apresentam pétalas em formato de coração, uma nítida associação à Vênus, deusa do amor, dos relacionamentos e da beleza.

O que leva a pessoa em estado negativo de Cherry Plum a cometer atos terríveis contra si mesmo? O que leva uma pessoa em estado negativo de Wild Rose a desistir da vida? Se analisarmos os exemplares desta família botânica, no sistema Bach e em outros sistemas florais, iremos perceber que as essências florais preparadas a partir destas flores dirigem-se a harmonizar expressões negativas de uma única virtude - o Amor.

“Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és”

Semelhante à família das rosáceas, todas as famílias botânicas trabalham uma virtude ou qualidade sutil que ressoa com as necessidades evolutivas da alma humana. Liliáceas, compostas, boragináceas, fagáceas, primuláceas.....

Aqui o famoso ditado popular encontra o seu significado mais positivo. O conhecimento das virtudes sutis de cada família botânica nos possibilita realizar combinações de essências florais para obter um efeito sinérgico sobre um determinado tema, a orientar a pesquisa de novas essências florais ou, simplesmente, ampliar a nossa compreensão a cerca das propriedades curativas de uma determinada essência floral, ajudando-nos no processo de seleção e diagnóstico.

Diferente do início da Terapia Floral no Brasil, hoje, aquele que principia seus estudos nesta arte de cura, conta já com uma literatura vasta sobre o assunto e cursos que enfatizam o olhar para a natureza. Sejamos, pois, detetives do reino vegetal, para que a nossa prática como terapeutas florais possa alcançar estágios ainda mais elevados de desenvolvimento!

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Rosana Souto Sobral Vieira - Diretora do Instituto Cosmos de Terapia Floral, Campinas, SP. Instrutora autorizada da Flower Essence Society, Florais da Califórnia, e dos Florais de Bach Healingherbs, Engenheira Química e Astróloga.

Bibliografia
[ 1 ] BACH, Edward – Os Remédios Florais do Dr. Bach – Ed Pensamento, SP, 1992.

[ 2 ] WEEKS, Nora – Medical Discoveries of Edward Bach Physician, The C.W.Daniel Co. Ltd, Inglaterra, 1989.

[ 3 ] WEEKS, Nora & BULLEN, Victor – The Bach Flower Remedies, Illustrations and Preparations – The C.W.Daniel Co. Ltd, Inglaterra, 1990

[ 4 ] BARNARD, Julian & Martine – The Healing Herbs of Edward Bach: An Illustrated Guide to the Flower Remedies – Ashgrove Press, Bath, Inglaterra, 1988

[ 5 ] SHEFFER, Mechthild & STORL, W-Dieter – Die Seelenpflanzen des Edward Bach – Hugendubel/Irisiana, Munique, Alemanha, 1991.

[ 6 ] KAMINSKI, Patricia & KATZ, Richard – Repertório das Essências Florais – Ed. Triom, SP, 1998.

[ 7 ] KAMINSKI, Patricia – Flores que Curam, como usar essências florais – Ed.Triom, SP, 2000.

[ 8 ] JOLY, Aylton – Botânica, Introdução à taxonomia vegetal – Cia. Editora Nacional, SP, 2002.

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