Projeto pioneiro com crianças carentes em homenagem ao Dr. Bach é publicado pela Flower Essence Society
um relatório de Rosana Vieira e Jann Garitty*
“As essências florais são instrumentos maravilhosos para semear e plantar o amor no mundo. Este é o fundamento de meu trabalho e representa aquilo que venho tentando fazer e ensinar aos meus alunos em sua prática terapêutica”. Introdução A seguir, um relatório com fotos de Rosana Vieira sobre um novo programa de arte iniciado no “ Os Seareiros/Núcleo Mãe Maria”, em Campinas, Brasil. Este projeto, originalmente proposto por Rosana para homenagear os 120 anos do nascimento do Dr. Bach, tem-lhe proporcionado muita alegria em função da motivação das crianças, na realização dos trabalhos de arte, e também pelos dos benefícios que este tem trazido as mesmas. Para Rosana, este projeto também veio fornecer ferramentas adicionais para enriquecer o seu trabalho terapêutico. O exercício de observação de planta no qual foi solicitado às crianças que desenhassem um exemplar de Impatiens exatamente como eles a viam, a partir se suas próprias perspectivas e realidades, foi uma oportunidade para observar, de perto, o comportamento das crianças em grupo. As flores escolhidas para serem desenhadas, por cada uma das crianças, após a leitura do texto, “O conto dos viajantes”, do Dr. Bach, também forneceram informações importantes para o processo terapêutico de cada uma delas. Além disto, as anotações dos comentários das crianças durante a execução dos trabalhos artísticos, pelas assistentes da aula de artes, resultaram numa ajuda valiosa para a terapeuta.
Foi solicitado que as crianças desenhassem exatamente o que viam a partir do ângulo em que estavam sentadas. Este foi um exercício muito importante para aumentar a percepção de suas próprias realidades. Além de travar contato com a planta, isto ajudou também a aumentar a habilidade de aprendizado. Posteriormente, a professora de artes conduziu uma discussão com relação aos diferentes ângulos de percepção da planta e eles próprios avaliaram seus trabalhos. Nós trabalhamos com uma espécie diferente de Impatiens pois a inglesa não nasce em nosso país.
"As crianças estão aprendendo sobre as essências de uma forma divertida...Agora elas ficam ansiosas para saber quais os remédios que estão tomando e querem estar conversando comigo sobre os mesmos. Estão interessados também em conhecer e mudar seu comportamento. Isto é uma semente para o futuro. É muito recompensador ver a curiosidade deles... Creio que isto é realmente maravilhoso, se considerarmos que o primeiro passo para alcançarmos a cura verdadeira é ter consciência de nossas necessidades ou faltas. Assim este tipo de atitude poderá levá-los a uma cura mais profunda. Isto também poderá vir a incrementar a atuação das essências à medida que eles a tomam." Dezenove crianças estão participando deste projeto de arte. Elas foram divididas em duas turmas: uma com quinze e outra com quatro crianças. A turma de quatro crianças é composta por crianças que requerem mais a nossa atenção. A maioria das crianças que freqüenta o Núcleo Mãe Maria apresenta alguma dificuldade na aquisição de aprendizado ou em termos de comportamento. Lidamos com crianças de uma comunidade carente pobre e algumas delas enfrentam também circunstâncias domésticas que incluem violência, abandono ou abuso. Estas quatro crianças representam nosso maior desafio atual, tanto na escola como em casa. São crianças agressivas, hiperativas e com dificuldade de aceitar limites. Por este motivo, foram colocados em uma turma especial com mais professores para atendê-las. Todas as crianças que estão participando deste projeto estão tomando as essências florais. Elas são atendidas por mim ou pela Teca, Tereza Cristina, outra terapeuta floral da nossa equipe. O projeto em homenagem ao Dr. Bach e ao seu legado Tenho vivenciado momentos de grande alegria ultimamente. Alegria, pois nunca poderia imaginar que uma simples idéia pudesse florescer de forma tão bonita. Alegria também por perceber que isto poderá ser feito em maior escala no futuro. Ano passado, após observar a performance das crianças por ocasião do encerramento de nossas atividades no Núcleo, decidi propor à professora de Artes, Neide Mafra, um projeto conjunto para homenagear o Dr. Bach por ocasião do seu centésimo vigésimo aniversário (leia aqui como foi a Conferência Internacional Bach Cromer Conference em comemoração ao jubileu de Edward Bach). Este projeto contou também com a ajuda de Wilma Lúcia Nanni e Renata M. Machado, assistentes da Neide, e de Tereza Cristina Oliveira, Teca, a terapeuta floral que divide o atendimento das crianças comigo. Gratidão é o que sela o meu comprometimento com o trabalho do Dr. Bach e o que me faz divulgar os benefícios do seu legado: gratidão de muitas maneiras – pelo meu próprio desenvolvimento pessoal, pelos resultados obtidos com minha família e clientes, pela oportunidade de ajudar crianças carentes a visualizarem um futuro mais promissor e, acima de tudo, gratidão por seu próprio sofrimento e determinação em nos deixar esta modalidade de cura capaz de nos ajudar a restabelecer o amor e a paz na terra. Minha intenção inicial era a de trabalhar com as crianças a assinatura de algumas flores dos florais de Bach. Ao invés de imitarem um artista ou um cantor de rock, eles poderiam fingir ser um Carvalho ( Oak ) ou a Mimulus, entre outras, trazendo as qualidades de cura dos remédios florais para suas vidas, de uma forma diferente daquela de só ingeri-los. Certamente que eles passariam a reconhecer as “flores” naqueles a sua volta, ao mesmo tempo em que começariam a desenvolver um outro olhar para a Natureza e para as flores, propriamente ditas. Neide mostrou-se bastante receptiva a minha idéia. Marcamos um encontro para discuti-la em maiores detalhes, no início do ano letivo. E assim, fui ao seu encontro, levando uma gama de materiais relativos à terapia flora: cartões dos florais de Bach, um pôster, a foto do Dr. Bach, enfim, tudo que pudesse orientá-la para dar início ao projeto. Neide, embora sempre muito entusiasta do meu trabalho com as essências florais nestes oito anos de Núcleo Mãe Maria, não era uma terapeuta floral e tampouco conhecia as essências e os escritos de Edward Bach. Eu tinha que instruí-la, pois não teria disponibilidade de tempo para acompanhá-la, de perto, nas aulas das crianças. Assim, passamos uma manhã inteira numa tempestade de idéias. É ótimo trabalhar com professores de arte! Eles são tão criativos! Minha “pequena” idéia transformou-se no projeto de arte do NMM deste ano. O projeto incluiria: a sensibilização para o tema com a introdução do trabalho de artistas famosos que pintavam flores, informação da vida de Edward Bach, ampliando o interesse das crianças por outras culturas, idiomas e países, o trabalho de compreensão e ilustração de estórias escritas por ele, exercícios de observação de planta e ensaios sobre algumas das flores do sistema Bach. A Neide expandiu a idéia inicial de tantas maneiras que as crianças, agora, terão um ano inteiro de trabalho dedicado a esta união da arte com o estudo das essências florais. Além disto, para que ela tivesse mais insights sobre como conduzir a dinâmica do projeto, convidei-a a participar da minha turma do curso de florais de Bach deste ano. Assim, ela poderia aprender sobre as essências e o significado mais profundo da Terapia floral. A Neide já estava pronta para isto. O trabalho com o conto dos viajantes Dr. Bach gostava de escrever estórias para ilustrar o trabalho de alguns de seus florais. “O Conto dos Viajantes” foi escrito em 1934 quando ele tinha descoberto apenas os Doze Curadores e os Quatro auxiliares. É uma linda estória e minha idéia inicial, para este projeto, era a de que as crianças representassem algumas de suas personagens. Ainda não sabemos se isto será possível; são muitas as personagens e isto pode ser difícil para elas.
Neide trabalhou esta estória com as crianças e solicitou que elas desenhassem, pelo menos, três das personagens que lhes chamaram mais atenção. No entanto, o mais interessante foi o fato de que algumas crianças logo perguntaram se podiam desenhar as plantas como pessoas. E assim elas fizeram. Combinaram partes de plantas ao corpo humano, desenhando-os com caules e folhas, ao invés de pernas, e assim por diante. Elas capturaram a “essência” dos remédios.
Foi muito interessante perceber que muitas das crianças escolheram desenhar Chicory. Em alguns desenhos, Chicory ocupou uma posição proeminente. Algumas crianças chegaram, até, a criar caixas de diálogo para este personagem mostrando as suas qualidades curativas – “a nutrição materna”. Você está com fome? Você está sentindo alguma dor? Muitas das crianças carecem de um ambiente familiar ou de uma figura materna “nutritiva” ou acolhedora. Na Vila Brandina, irmãs ou irmãos mais velhos ocupam, muitas vezes, o papel da mãe. Em outros casos, as crianças ficam sozinhas em casa, enquanto suas mães trabalham. Por isto, Chicory é tão importante para elas. Nada diferente do cenário de muitos lares modernos. Scleranthus, “ a flor da decisão”, também chamou a atenção de algumas crianças (segundo da direita para esquerda com um V , na caixa de diálogo do desenho abaixo). Fazer boas escolhas ou decidir pelo melhor caminho a seguir é um desafio que muitas delas enfrentam muito cedo na vida, dentro ou fora de casa.
Escolhendo as essências a partir de suas próprias necessidades A professora de arte e eu usaremos a nossa intuição para selecionar as essências mais adequadas para serem trabalhadas com as crianças. Elas não irão aprender sobre todos os florais de Bach, apenas alguns destes para que possam compreender o verdadeiro significado da terapia floral. Portanto, nossa intenção é trabalhar com essências que elas possam identificar-se a partir de suas próprias necessidades. Por exemplo: recentemente enfrentamos um grande conflito social que provocou muito pânico, não apenas em nossa cidade, Campinas, mas também em outras cidades e capitais do Brasil, devido a rebeliões nos presídios e ataques a instituições públicas comandadas por chefões do tráfico de drogas. Infelizmente, o tráfico de drogas domina muitas comunidades carentes e favelas do nosso país. Na Vila Brandina, onde o NMM está situado, isto já foi mais intenso, agora bem melhor. No entanto, a comunidade ficou em estado de alerta e fomos recomendados a fechar as portas por alguns dias, por motivo de segurança. Quando retornamos, a professora de artes decidiu trabalhar com a Rock Rose. E isto surtiu um efeito maravilhoso! As crianças entenderam a proposta curativa desta essência floral e começaram a falar de seus próprios medos, dos medos mais intensos; eles reconheceram na Rock Rose o medo que, muitas vezes, sentem em suas próprias casas.
Expandindo o projeto para outras crianças por meio da terapia floral Núcleo Mãe Maria tem muitas crianças que não estão inscritas nas aulas de arte. Para não deixá-las totalmente de fora com o relação ao que está acontecendo com seus colegas, passei a utilizar os cartões com as imagens das flores ( Bach e Califórnia ) da Flower Essence Society, quando elas vem para a consulta. Peço que elas escolham seis cartões, aleatoriamente. Depois, procuro explicar um pouco sobre o que é a terapia floral e conversamos sobre as flores que escolheram intuitivamente. Nesta hora aproveito para perguntar-lhes se acham que alguma delas tem a ver consigo. Em seguida, encorajo-as a desenhar aquela que mais se identificaram. Isto tem sido muito benéfico para a minha prática pois, às vezes, nunca poderia imaginar que determinada essência fosse útil àquela criança. Este processo também ajuda a desenvolver uma maior consciência de si próprias. Além disto, as crianças vão-se familiarizando com outras flores que não fazem parte do repertório dos florais de Bach, expandindo a idéia de que cada flor tem um propósito de cura único e que no mundo, existem muitas flores que podem nos ajudar. E assim, algumas delas já começam a me perguntar sobre as flores que podem ser úteis em determinadas questões para si próprias ou para seus familiares. Tem sido maravilhoso ensinar as crianças sobre os remédios florais. E estas são crianças carentes, algumas com muitas limitações. No entanto, está funcionando! É emocionante ouvi-las pronunciar o nome do Dr. Bach, saber quem ele era. Estamos plantando sementes para o futuro.
Penso que estamos diante de um novo desdobramento do trabalho de Edward Bach. Acredito que esta experiência que está sendo realizada no Mãe Maria vem nos mostrar que as propriedades curativas das flores podem ser ensinadas à medida que crescemos. Ainda temos muito a fazer aqui no NMM. Manterei vocês informados. Obs: Este relatório é o resultado de trocas de e-mails entre Rosana Vieira, Patricia Kaminski e Julian Barnard, entrevista telefônica concedida a Jann Garitty, e textos explicativos enviados a eles, no decorrer da realização deste projeto durante o ano de 2006. Jann Garitty – é editora da Flower Essence Society que com, seu talento, ajudou a compor estas informações e a dispor as fotos desta forma. Clique aqui para saber mais sobre a Rosana Clique aqui para saber mais sobre o Os Seareiros/Núcleo Mãe Maria
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