Tributo ao antigo carvalho
Uma estória de deuses e guerreiros

Rosana Souto S. Vieira


O antigo carvalho

Edward Bach certamente o encontrou em suas caminhadas ao longo do rio Usk, em Crickhowell, país de Gales. O imenso carvalho era um exemplar magnífico de sua espécie para deixar de ser notado. Há quantos anos estaria ali? Quatrocentos, quinhentos? Difícil precisar.

No entanto, seu imenso tronco e sua copa imponente atestavam a sua longevidade e não deixavam-nos ter dúvida de que estávamos diante de uma majestade do reino vegetal.

Sim, aquele carvalho, por si só, mostrava-nos por que os carvalhos eram árvores sagradas para os celtas e, também, consagrados a Zeus/Júpiter na mitologia greco-romana.

A capacidade destas árvores de atraírem os raios do céu, certamente foi uma das grandes razões que levaram os antigos a associá-las a este deus que reinava sobre todos os outros no Olimpo. Júpiter é conhecido também como deus do trovão e dos raios, sua maneira de fazer justiça ou de expressar a sua vontade. Os carvalhos, então, serviam a um propósito divino.

Nada diferente das características encontradas comumente nas pessoas do tipo Oak: a lealdade, a resistência e a perseverança para alcançar aquilo que acreditam estar imbuído de um propósito maior. Tornam-se guerreiros a lutar por uma causa, por uma missão, muitas vezes, passando por cima de suas próprias necessidades ou limites físicos. Citando Edward Bach, são pessoas valentes que lutam contra grandes dificuldades, sem perder a esperança.


Júpiter

Para todos aqueles familiarizados com o trabalho de Julian Barnard, grande conhecedor da obra de Edward Bach, professor, autor de diversos livros, fotógrafo e produtor dos florais de Bach Healingherbs, aquele carvalho foi o exemplar escolhido para representar a imagem de Oak.  E, através dos slides, cartões e livros de Julian, aquela árvore tornou-se íntima para nós, professores e alunos do programa educacional Aprendendo a usar os Florais de Bach, método Healingherbs. Passamos a ensinar e aprender a partir de sua imagem.


O grupo em comparação com o tronco

Em junho de 2005, o próprio Julian Barnard guiaria um pequeno grupo de professores brasileiros até ele. Reverência, admiração...
“Nosso” carvalho resistia bravamente aos danos que vinha sofrendo há anos. Seu tronco apresentava um imenso buraco, onde pessoas irresponsáveis ateavam-lhe fogo. No entanto, ele continuava a suportar o imenso peso de sua copa, sem demonstrar cansaço. Florescia e continuava dando os seus frutos como se nada estivesse acontecendo.

Encontrando-me em Crickhowell, após a conferência internacional de Cromer, corri para margens do rio Usk de novo. Queria revê-lo e sabia que as Impatiens deveriam estar também por lá “invadindo o território”.

Como uma Impatiens, andei decidida para ir ao encontro dele, sem parar para observar as outras flores do caminho. Algo me chamava para dentro daquele parque.

Fui percebendo os sinais aos poucos, mas recusava-me a acreditar. O pó de serragem, o céu mais claro naquele lugar, as fitas de isolamento ...

Custei a aceitar enxergar aquele tronco no chão partido em várias partes; os galhos com as folhas ainda verdes ocupando toda a clareira. Não, eu não estava vendo aquilo.Não era possível!


O tronco e a extensão do buraco


Os galhos no chão

Em meio as lágrimas, fiquei andando em volta daquele cenário. Foi aí que percebi um outro círculo. Jovens carvalhos pareciam dar-se as mãos ao redor da árvore tombada. E eles estavam carregados de frutos.


Os frutos das novas árvores

Aos poucos fui me acalmando. Sabia que aquilo tinha um significado maior que eu ainda não estava pronta a entender.

Pensei em Julian. Será que ele já sabia? Parecia tudo tão recente. Tive a resposta logo em seguida, quando avistei os colegas Telma Buarque e Arden Wong adentrando o parque. Julian Barnard havia os recomendado a visitar o antigo carvalho. Guiei-os até lá. Ficamos, os três, em silêncio, contemplando aquela imagem.

Mais tarde, atuando como Mercúrio, porta voz de Júpiter, foi a hora de levar a notícia a Julian. No entanto, não consegui encontrar uma melhor maneira de contar a ele. Perplexidade, revolta, pesar... Foi muito difícil falar sobre isto nos dias que se seguiram.


Cindy - minha beagle guerreira
1992 - 2006

O entendimento para aquilo tudo só viria mais tarde quando, já no Brasil, tive que optar em sacrificar um outro exemplar tipicamente inglês; minha linda cadela da raça beagle. De tão idosa e doente, ela já não conseguia mais suportar o seu peso.

Só então pude compreender que tudo aquilo fazia parte de um grande plano divino onde o Amor, a Fraternidade e a Compaixão estavam envolvidos.

Em Cromer, Julian Barnard auxiliado por seus amigos, Vivien Williamson, Gérard Wolf e por um time de colaboradores excepcionais, vencia mais uma de suas famosas batalhas pelos desejos e ideais do Dr. Edward Bach. Eles conseguiram o que parecia impossível após tantos anos de rivalidade entre a comunidade dos florais de Bach. Lá presenciamos, emocionados, as participações de Judy Howard, curadora do Bach Centre, Mechthild Scheffer e demais autoridades vinculadas a esta instituição, ao lado de outros grandes pesquisadores da obra do Dr. Bach como o próprio Julian Barnard, Richard Katz e Patricia Kaminski, da Flower Essence Society. Vimos o Amor e a Fraternidade prevalecerem sobre os interesses comerciais, dando início a uma nova fase de cooperação para que o trabalho de Edward Bach possa beneficiar um número ainda maior de pessoas em todo o mundo.

Mercúrio foi correndo para Crickhowell contar a boa nova ao antigo carvalho. Este, feliz por ter inspirado seu mais fiel amigo a conquistar tão importante vitória, deixou escapar um comentário sobre o seu cansaço e o seu desejo de se libertar do peso de sua forma física. Estes, logo chegariam aos ouvidos de Júpiter que, agindo como um deus justo e compassivo, ordenou aos homens que lhe cumprissem a sua vontade, o mais rápido possível.  
E assim foi feito...


Mercúrio

O antigo carvalho - um grande guerreiro


Fotos: Rosana Souto S. Vieira

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